Lula entre os dois
49,0% → 51,8%
1º turno → 2º turno
Lula ficou atrás no 1º turno e venceu o 2º. Comparamos o resultado do 1º turno, estado por estado, com a soma dos boletins de urna do 2º turno conferidos nesta auditoria. A virada é coerente com o 1º turno: a conta de votos fecha, a fatia de Lula subiu em 28 de 28 unidades (os 27 estados e o exterior), em proporções parecidas, e nenhum estado foge do padrão.
49,0% → 51,8%
1º turno → 2º turno
14,1 milhões
dos outros candidatos + válidos a mais
73,6%
deles; para empatar bastavam 57,9%
28 de 28
entre +1,21 e +4,25 pontos
| 1º turno | 2º turno | Diferença | |
|---|---|---|---|
| Lula (13) | 53.879.538 | 64.256.232 | +10.376.694 |
| Flávio Bolsonaro (22) | 56.104.503 | 59.826.041 | +3.721.538 |
| Outros candidatos | 9.316.747 | – | −9.316.747 |
| Votos válidos | 119.300.788 | 124.082.273 | +4.781.485 |
Os dois finalistas somaram 14.098.232 votos a mais no 2º turno. Esses votos vieram de dois lugares: os 9.316.747 eleitores dos outros candidatos e 4.781.485 votos válidos a mais. Os válidos a mais se explicam por 2.959.408 eleitores a mais que foram votar e 1.821.246 brancos e nulos a menos. A conta fecha.
Lula ficou com 73,6% desses votos em disputa. Parece muito, mas é o que acontece com quem cresce no 2º turno. Em 2022, com os lados trocados, Bolsonaro teve 51,07 milhões de votos no 1º turno e 58,21 milhões no 2º, e ficou com cerca de 70% dos votos em disputa.
O gráfico mostra, em cada estado, a fatia de Lula nos votos dados aos dois finalistas: o círculo vazado é o 1º turno e o cheio é o 2º. Se houvesse votos inventados ou desviados em alguns lugares, esses estados apareceriam com saltos bem maiores que os outros.
Passe o mouse numa linha para ver os números. A tabela completa está no fim da página.
O 2º turno de cada estado pode ser previsto pelo 1º com uma reta: correlação de 0,9994, e a reta explica 99,8% da diferença entre os estados. Em média, cada estado fica a apenas 0,61 ponto da reta. Os mais distantes são RO (−1,36), AC (−1,23), RR (−0,98), ainda dentro de um ponto e meio.
Esse teste mostra que não houve um desvio localizado. Ele sozinho não excluiria uma mudança feita por igual no país inteiro. Isso quem exclui é a auditoria seção a seção: em cada uma das 499.207 seções, o boletim é igual ao registro voto a voto (RDV) e ao log da urna, com assinatura digital conferida. Para Flávio vencer, seria preciso trocar de lado 2.215.096 votos (1,79% dos válidos), e cada um deixaria rastro em três arquivos assinados.
Como cada estado teve uma mistura diferente de candidatos no 1º turno, dá para estimar para onde foi, em média, o eleitor de cada um. Um modelo ajustado aos 27 estados explica 99,1% da variação do ganho de Lula e sugere:
Essas porcentagens são estimativas estatísticas feitas com totais por estado (inferência ecológica). Elas não dizem como votou cada pessoa, o que é impossível porque o voto é secreto. Servem para mostrar que existe uma combinação plausível de transferências que reproduz o resultado de todos os estados ao mesmo tempo.
Em 6 estados Flávio terminou o 2º turno com menos votos do que no 1º: AC (−15.092), AP (−13.604), RR (−11.647), MA (−9.069), AM (−1.519), TO (−1.405). São estados pequenos e, em vários deles, o total de votos válidos caiu de um turno para o outro, com mais abstenção. É uma oscilação pequena: somadas, as perdas são 52.336 votos, menos de 1% da diferença final.
Em 9 estados Lula venceu o 2º turno, mas o governador eleito é de partido de centro ou de direita:
| UF | Governador eleito (partido) | Lula no 2º turno |
|---|---|---|
| MG | Cleitinho (Republicanos) | 50,4% |
| AP | Dr. Furlan (PSD) | 52,9% |
| AM | Omar Aziz (PSD) | 54,0% |
| PA | Dr. Daniel (Podemos) | 55,0% |
| AL | JHC (PSDB) | 60,8% |
| PB | Lucas Ribeiro (PP) | 67,5% |
| PE | Raquel Lyra (PSD) | 69,2% |
| SE | Fábio Mitidieri (PSD) | 69,5% |
| MA | Eduardo Braide (PSD) | 69,5% |
O voto dividido é comum no Brasil. A eleição de governador depende de candidatos e alianças locais, e a maioria foi decidida no 1º turno, em 4 de outubro. Em 2022, Romeu Zema (Novo) foi reeleito em Minas no 1º turno, e Lula venceu em Minas no 2º. Além disso, só dois desses governadores são de partidos claramente de direita (Republicanos e PP); os outros são de centro (PSD, PSDB, Podemos).
No Brasil, quem liderou o 1º turno nunca tinha perdido o 2º desde 1989. Em outros países isso acontece: na Argentina, Macri (2015) e Milei (2023) ficaram em segundo no 1º turno e venceram; no Chile, Boric (2021) também.
Aqui a distância no 1º turno era pequena: 45,16% para Lula contra 47,03% para Flávio, com 9,3 milhões de votos em outros candidatos. Bastava a Lula ficar com 57,9% dos votos em disputa para empatar. Ele ficou com 73,6%, na mesma faixa que Bolsonaro obteve em 2022.
| UF | Lula 1º | Lula 2º | Var. | Ganho Lula | Ganho Flávio | Em disputa | Lula levou | Fora da reta |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| AC | 30,80% | 33,43% | +2,64 | +9.743 | −15.092 | −5.349 | – | −1,23 |
| AL | 57,50% | 60,77% | +3,27 | +157.162 | +8.422 | 165.584 | 94,9% | +0,72 |
| AP | 50,03% | 52,88% | +2,85 | +10.465 | −13.604 | −3.139 | – | −0,06 |
| AM | 51,74% | 54,02% | +2,28 | +98.787 | −1.519 | 97.268 | 101,6% | −0,54 |
| BA | 69,87% | 71,31% | +1,44 | +820.487 | +166.176 | 986.663 | 83,2% | −0,49 |
| CE | 66,93% | 68,93% | +2,00 | +480.861 | +62.628 | 543.489 | 88,5% | −0,08 |
| DF | 42,62% | 45,72% | +3,10 | +149.597 | +69.926 | 219.523 | 68,1% | −0,17 |
| ES | 40,80% | 43,63% | +2,83 | +151.937 | +61.310 | 213.247 | 71,2% | −0,54 |
| GO | 36,69% | 40,34% | +3,65 | +396.675 | +293.446 | 690.121 | 57,5% | +0,08 |
| MA | 67,44% | 69,54% | +2,10 | +241.930 | −9.069 | 232.861 | 103,9% | +0,05 |
| MT | 30,94% | 33,94% | +3,00 | +112.486 | +52.518 | 165.004 | 68,2% | −0,85 |
| MS | 37,18% | 40,40% | +3,22 | +112.118 | +54.541 | 166.659 | 67,3% | −0,33 |
| MG | 47,32% | 50,43% | +3,12 | +1.162.163 | +464.238 | 1.626.401 | 71,5% | +0,07 |
| PA | 52,87% | 55,02% | +2,15 | +263.212 | +35.983 | 299.195 | 88,0% | −0,63 |
| PB | 64,96% | 67,46% | +2,51 | +252.932 | +33.833 | 286.765 | 88,2% | +0,33 |
| PR | 34,24% | 37,42% | +3,18 | +511.907 | +346.099 | 858.006 | 59,7% | −0,51 |
| PE | 67,16% | 69,20% | +2,04 | +563.542 | +94.511 | 658.053 | 85,6% | −0,02 |
| PI | 74,66% | 75,88% | +1,21 | +130.279 | +8.831 | 139.110 | 93,7% | −0,48 |
| RJ | 42,65% | 46,90% | +4,25 | +872.372 | +202.189 | 1.074.561 | 81,2% | +0,98 |
| RN | 63,21% | 65,72% | +2,51 | +175.633 | +16.916 | 192.549 | 91,2% | +0,24 |
| RS | 39,10% | 42,16% | +3,06 | +529.793 | +300.595 | 830.388 | 63,8% | −0,39 |
| RO | 27,74% | 30,39% | +2,65 | +43.779 | +21.394 | 65.173 | 67,2% | −1,36 |
| RR | 24,34% | 27,54% | +3,20 | +9.085 | −11.647 | −2.562 | – | −0,98 |
| SC | 27,31% | 30,58% | +3,27 | +291.146 | +220.051 | 511.197 | 57,0% | −0,77 |
| SP | 42,38% | 46,15% | +3,77 | +2.613.861 | +1.217.155 | 3.831.016 | 68,2% | +0,48 |
| SE | 67,20% | 69,53% | +2,33 | +133.022 | +15.515 | 148.537 | 89,6% | +0,27 |
| TO | 46,26% | 48,63% | +2,37 | +38.953 | −1.405 | 37.548 | 103,7% | −0,73 |
| Exterior | 52,24% | 53,86% | +1,62 | +42.767 | +27.597 | 70.364 | 60,8% | – |
| Brasil | 48,99% | 51,79% | +2,80 | +10.376.694 | +3.721.538 | 14.098.232 | 73,6% |
Fontes: 1º turno por UF conforme divulgado pelo TSE e reproduzido por Wikipédia, HubPolítico, Carta Capital e Poder360; 2º turno: soma dos boletins de urna auditados. Governadores: O Povo. "Em disputa" = votos dos outros candidatos no 1º turno + votos válidos a mais no 2º. Quando os dois finalistas somaram menos votos no 2º turno do que no 1º (AC e AP), não há votos em disputa e "Lula levou" fica em branco; acima de 100% significa que Flávio perdeu votos no estado. Os modelos usam mínimos quadrados com as 27 UFs; o exterior fica de fora.